PROJETO
O que é o Lá Dentro da Mata?
O Lá Dentro da Mata é um projeto elaborado com o propósito de tornar competitivo um instrumento de incremento social, atento ao cenário formado por produções extremamente atraentes ao público infantil. A idéia é envolver a criança em causas importantes para a sua formação e para o bem coletivo através de ferramentas que façam parte do universo do seu desejo.
No processo de criação foi importante entender a forma como se comporta o mercado de produtos infantis, sendo este um apontador confiável dos anseios deste público. Não significando que este processo fosse gerar uma reprodução de um modelo funcional, mas sim que dele fosse encontrada uma brecha para um resgate possível das mais belas produções nacionais, cercado por recursos modernos de cultura e entretenimento.
Como resultado, o Lá Dentro da Mata contextualizou-se e tornou-se mais atrativo à criança contemporânea, facilitando a difusão de ideais de respeito à natureza, através utilização de recursos lúdicos modernos.
Com a Palavra o Autor:
“A idéia surgiu com as composições. Primeiro eu comecei compondo algumas músicas sobre bichos da Mata Atlântica, depois entendi que poderia colocar aquelas músicas dentro da mata, lá onde vivem os seus personagens. A história foi uma conseqüência muito engajada, já trazia alguma coisa da idéia das composições no seu ritmo leve e na graça dos personagens.
A prática de fotografar diversas viagens que fazia e poder publicar as fotos na internet me fez perceber a tecnologia como instrumento favorável ao compartilhamento de experiências. Esta nova experiência podia ser transposta para a história que eu estava criando, não só através do produto, mas de um símbolo vivo dentro do conto. Optei por não utilizar uma figura adulta para que a aventura pudesse fluir de forma mais íntima à criança e livre de qualquer impressão de controle. Aí nasceram juntos o robô, chamado Jururu, e a idéia de fazer uma interface hipermidiática para o projeto. O robô deveria ser um elemento de ligação entre o universo da história e o universo do espectador, sendo um metafórico responsável por trazer a história para o público.
O índio Poti e o seu cherimbabo (animal de estimação), o macaco Ayri são amigos que tem uma força muito natural na exposição de uma relação de respeito de um menino com o animal. Os dois têm, ao mesmo tempo, o papel principal e de coadjuvantes. São figuras secundárias quando entram na mata e deixam como elemento principal da história a floresta e os seus animais. Este posicionamento é o que garante a dimensão aberta do projeto. Por não se fechar nos personagens, a história abre as “portas” da mata para que possam ser explorados todos os seus recursos lúdicos, na graça dos animais ou na sua beleza mítica.
Pela linguagem e pelos arranjos que começavam a surgir para as músicas, notei que o projeto estava intimamente ligado a um sentimento de essência e raiz cultural, atentei ao fato de que seria interessante trazer um pouco do folclore ligado à floresta e aos animais. Os guardiões da mata, o saci e o curupira, fizeram-se importantes ligações com o fantástico infantil brasileiro, dando um tempero de fantasia ao tempo em que mudavam o enfoque das sensações do visitante.
A história se fecha com a volta para casa, deixando uma impressão de que chegou ao fim um passeio ou uma viagem turística, na qual algo se acresceu ao conhecimento. A música “Quem Cuida da Mata” amarra a história a uma noção de responsabilidade, não uma responsabilidade induzida de forma controladora, mas sugerida como uma missão instigada pelas sensações que o visitante apreendeu durante todo o processo lúdico.
Em 2004, depois de finalizada a história e as músicas, convidei a pedagoga Gabriela Sales para afinar algumas diretrizes. Eu queria que a história, sem sair do campo lúdico, se capacitasse mais nos aspectos educativos, e, para isso, deveria haver uma adaptação da linguagem. Particularmente, acho que esse foi um momento importante, porque aí eu pude entender o potencial do projeto. Pude notar que ele tinha uma dimensão de responsabilidade social muito grande embutida no seu escopo.” (Pablo A. Maurutto, Abril de 2005)