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“Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim (...) |
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“O escritor, invariavelmente um adulto, transmite a seu leitor um projeto para a realidade histórica, buscando a adesão afetiva e/ou intelectual daquele”. (Lajolo, Zilberman, 1984:19)”
“Talvez os contos populares, as historietas ilustradas, os romances policiais ou de capa-e-espada, as fitas de cinema, atuem tanto quanto a escola e a família na formação de uma criança e de um adolescente” (Antonio Candido, 1972:805).
Criar para crianças requer um mecanismo de inserção no seu mundo, uma forma de se fazer entender e capturar atenção utilizando a linguagem adequada ao seu plano de percepção e sensações. Cientes do poder de consumo deste nicho a indústria de cultura e entretenimento desenvolveu um extenso horizonte de possibilidades e soluções que competem a atenção do público infantil utilizando os mais diversos artifícios de cor, forma ou som. A aliança da tecnologia com esta produção é o ponto chave do grande desenvolvimento mercadológico e, por conseqüência, de uma parcela significativa das mudanças ocorridas na formação cultural e no desenvolvimento do comportamento civilizacional deste século.
Dentre os diversos sintomas deste contato direto com as atualizações tecnológicas e com a grande quantidade de informações que as acompanha, percebe-se que as crianças que dispõem do acesso a estes recursos têm apresentado reações antecipadas de intelecção e psicomotricidade. Isto significa que esta indústria, além de ter uma grande importância mercadológica, também tem uma grande interferência na construção do ser humano e, como tal, deveria imbuir-se de responsabilidades sociais, além de posicionar-se de forma mais acessível.
São tantas as ofertas que as crianças acabam por sofrer um bombardeio de informações com as mais diversas abordagens. Ocorre que neste enorme turbilhão de possibilidades, nem sempre o que é mais atraente é também portador de conceitos positivos. E, muitas vezes, quando se pretende educar, a batalha é desleal frente ao poder dos mecanismos da grande mídia e do festival de recursos tecnológicos. Neste ínterim, muitas ações voltadas ao desenvolvimento cultural e da cidadania ressoam como uma vela acesa em meio a um show pirotécnico. Uma possível saída para esta difícil concorrência é a inflexão do fundamento educativo e um cruzamento deste com os recursos do ludismo contemporâneo. A tecnologia de entretenimento deve ser uma aliada para que se eleve uma ação educativa sobre os anseios modernos da criança.
Um outro fator preponderante é a atenção com as definições de “bons conceitos” ou “boa conduta” na formatação do conteúdo educacional. Devemos considerar os interesses comuns: o bem científico, a exemplo da preservação ecológica que, independente da cultura, é essencial à própria sobrevivência humana; e os interesses relativos a parâmetros étnicos, dos quais temos a certeza do benefício da manutenção da essência cultural, dos elementos próprios e tradicionais. Ambos são instrumentos básicos de autopreservação e de identidade social, essenciais para a formação humana.
Na grande indústria da cultura infantil existe um contraponto ao caminho positivo de formação. Ela comporta-se como uma poderosa ferramenta da construção de princípios despatriados, ou ainda pior, dominados por uma cultura forasteira. Ocorre, por isso, um contato excessivo das nossas crianças com elementos que não fazem parte da cultura e realidade brasileira. Notavelmente, este é o primeiro passo no caminho da aculturação impositiva e da conseqüente destruição das tradições de um povo.
O Lá Dentro da Mata foi criado atento a esta realidade da indústria cultural, trazendo um ideal de formação de conceitos ligados à nossa realidade étnica que devem ajudar a construir a nossa cidadania. O grande potencial está no seu desafio prioritário de educar para questões essenciais ao nosso futuro e levar o universo da essência das crianças brasileiras, hoje muito resguardado, para as novas sensações possibilitadas pelas novíssimas mídias.
A CRIANÇA E O MEIO AMBIENTE
A consciência da importância da preservação do meio ambiente é inerente à intimidade, ao respeito e ao amor à natureza. Isto significa que uma ação de proteção não é efetiva sem uma ação previa que aproxime a sociedade ao meio ecológico por simbiose.
Neste processo, vislumbrar os canais abertos a novos aprendizados e descobertas presentes nas crianças, leva a compreendê-las como um potencial veio de investimento para um futuro possível de relações auto-sustentáveis do homem com o meio ambiente. Principalmente por ser um dos grandes entraves destas relações os vícios das práticas tradicionais de produção. Alheias destes hábitos, as crianças são folhas em branco, prontas para que sejam escritas as linhas de uma nova ordem sócio-ambiental.
A partir disto, o desafio é encontrar maneiras de fazer com que os conceitos de ecologia tornem-se íntimos, consagrados e interiorizados como consciência, fazendo com que, na sua formação, o indivíduo compreenda-se como parte responsável pelo benefício coletivo, se tornando um cidadão cujas ações estarão sempre moldadas pela busca do equilíbrio com a natureza.
O encaminhamento desta relação pode ser dado pela educação ambiental, que consiste em fazer com que o educando compreenda o seu papel no equilíbrio estabelecido entre o homem e a natureza e entenda sobretudo a importância e as formas de preservar o meio ambiente. Para tanto é importante a utilização de recursos de aproximação do indivíduo com o Meio Ambiente, sendo um eficiente instrumento o Ecoturismo, que permite o envolvimento de atividades de lazer com a natureza, oferece o contato íntimo com o meio ambiente e ainda torna rentável o espaço selvagem. Educação Ambiental e Ecoturismo se complementam e criam os principais componentes para uma nova conduta na relação do homem com a natureza: o amor e o respeito pelo meio ambiente. Se desde a infância cultivarmos esta relação, certamente estaremos garantindo um futuro mais digno e saudável.